terça-feira, 3 de agosto de 2010

Confissões de um ex-filho rebelde

O dia dos pais se aproxima.
Ao escrever essa frase me questiono em relação à validade dessa data como de fato sendo o dia dos pais ou como sendo mais uma data festiva religiosa que virou oportunidade de grande comércio.
Dia dos pais é todo o dia. Ninguém que é pai deve ser lembrado apenas por um dia, mas todos os dias.
Lembro-me do meu, ainda vivo, graças a Deus, de quem sinto muitas saudades, assim como minha mãe, grande guerreira!
Recentemente esteve por aqui me visitando. Foram apenas dois dias, mas intensos. Fui às lágrimas em certo momento em que a razão disse à emoção que eram apenas dois dias e que já estavam se findando. A emoção não se conteve com tal verdade e desabou. Minha esposa presenciou tal cena!
Fico pensando que efeitos a figura de meu pai tem sobre mim e por quê.
Lembro-me de que quando era dolescente, no auge da minha rebeldia, muitas vezes sonhava com a maioridade pensando em sumir no mundo e nunca mais aparecer, sabendo que fazendo isso machucaria o coração dos meus pais. Sempre que um deles brigava comigo era o pensamento que minha vinha à mente.
Como a gente amadurece! Hoje, do alto dos meus 31 anos e meio ("grandes coisa", tudo bem, eu sei), vejo as marcas indeléveis deles em mim, resultado das suas influências.
Falava com minha irmã outro dia pelo telefone e ela me disse que ouvira uma das mensagens de Deus à PIB de Manaus por meu intermédio, gravadas e alocadas no site da mesma. Enquanto ouvia, fechava os olhos e, às vezes, pensava ser meu pai a pregar, tal era a semelhança na voz. Outros amigos de São Paulo, certa vez que tive o privilégio de orar em uma igreja lá, conhecendo meu pai, ao me ouvirem, posteriormente me disseram que pareciam estar ouvindo meu pai.
Um filho se assemelha muito a um pai pela influência que esse exerce sobre aquele, principalmente se a influência for positiva, como no meu caso.
Em muitos casos, carregar o nome da família (e em casos como o meu), o do próprio pai, pode ser um grande peso, mas também uma grande honra.
Hoje me pego pensando na grande influência que meu pai exerceu sobre mim e ainda exerce. Na forma de ser, falar, rir, pregar, pensar e tantas outras, tais como torcer pelo Mengão!
Quando crianças, o pai é o super-herói! Quando adolescentes o careta e fora de moda, de quem temos até vergonha! Quando adultos e já amadurecidos o referencial. A diferença entre a fase de infância e maturidade é que na segunda conhecemos já os defeitos do nosso pai e o amamos mesmo assim, principalmente se nos deixou um legado maravilhoso como é o meu caso.
Em parte, meus sonhos de adolescente rebelde se realizaram: moro longe de meus pais e quase não os vejo. Mas não gostaria mais de ser assim. Estar com eles tem sido os melhores momentos da minha vida ultimamente, principalmente na companhia da minha amada esposa.
Hoje, um pouco mais amadurecido, agradeço as tantas vezes que foi preciso me corrigir, me educar, me colocar de castigo (eu não era fácil, né mãe! Ela que o diga!). digo isso, porque vejo o que Deus fez de mim por intermédio e instrumentação dos meus pais, em comparação com a educação que vejo muitas crianças recebendo hoje e olhando para os da mesma geração que eu que não tiveram o privilégio que eu tive. Obrigado Senhor!
Bem, o dia dos pais se aproxima, mas na verdade, todo o dia é dia dos pais, pelo menos, quase todo o dia eu me lembro do meu.
Você é pai? Que marcas você deixou e deixa na vida de seus filhos? Que diferença você fez e faz?
Você é filho? Que marcas seu pai deixou em você? Se boas, você já agradeceu e reconheceu? Se ruins, você já perdoou?
Pai, amo você! Hoje posso ver que Deus te abençoou muito para você ser um pai de verdade, apesar de às vezes ter falhado, mas eu também errei como filho. Você e mamãe são uma grande bênção na minha vida. Agradeço a Deus sua vida, pela sua influência em todos os sentidos e por ainda ser um referencial para mim! Que Deus te abençoe todos os dias, assim como a mamãe, que eu também amo muito e de quem tenho muitas saudades!
Um beijo e abraço bem grandes e saudosos do seu filho,

Dininho

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Deixando a vida me levar...

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? – Jeremias 17.9

Recentemente, em um momento de fraqueza (confesso o meu pecado) assisti a uma cena de novela em que a personagem, na porta da igreja para se casar, recebe a notícia de que não é filha biológica de seu pai, o que a faz entrar num desespero profundo, desistir do casamento, que já seria uma farsa, por ser apaixonada pelo, agora, pseudo irmão.
Esse é um retrato fiel de como anda a nossa sociedade, se deixando levar pelas emoções, praticamente sem um pingo de razão, de juízo na cabeça.
Não vou me dar ao trabalho de dizer como a personagem deveria agir num momento desses porque não sou roteirista de novela, mas abandonar tudo por conta da notícia que recebeu, ainda por cima de uma pessoa considerada “inimiga”, é uma decisão embasada apenas nas emoções. Na verdade o problema já vem de muito antes.
Já tinha razão o profeta Jeremias, que, inspirado por Deus, escreveu sobre como é enganoso o nosso coração. Não vá pensar agora o leitor que sou contra as emoções, pelo contrário, lido muito bem com elas, quem em conhece sabe disso, mas me preocupa o desequilíbrio.
Parece que durante décadas as nossas emoções foram banidas das nossas vidas, foram deixadas de lado. Era errado, pecado e feio dar vazão e elas. O problema, como já dizia meu pai, é que “quem nunca comeu melado, quando com se lambuza”! De uma hora pra outra viver pautado pelas emoções virou moda, tanto é que surgiram os “emos”.
Não dá pra pautar a vida só em cima de emoções. O coração é enganoso. Muitas vezes, por conta das emoções, temos a nossa visão sobre as coisas perturbada e manchada. Já vi moças se casarem com bandidos por conta disso. Já vi mulheres sofrerem em seu casamento por conta da infidelidade do marido que não queriam ver, famílias viverem momentos dificílimos com filhos em drogas por conta disso. Aliás, nos três casos acima, o bandido, o adúltero e o drogado quiseram viver a vida apenas em cima de emoções.
É algo mais ou menos assim: senti raiva, dou vazão à minha raiva, falo o quero, ajo como quero me deixo guiar pela minha raiva. Que se danem as conseqüências!
Senti alegria, eu a extravaso! Abraço quem eu quero, fico com quem estiver afim, bebo todas, fumo todas, faço toda a baderna que quiser. Há ainda os personagens criados para justificar tais atos: “Tô pagano!”. Lamentável!
Outros, sentindo-se frustrados, dão vazão à sua frustração por meio da violência ou da autodestruição, e vão até as últimas conseqüências. Não dá pra viver assim!
Morando no Amazonas, tive o privilégio de algumas viagens de barco pelo rio Negro e Solimões, apesar de não gostar muito dessa aventura pela demora de tais viagens. Pela graça de Deus nunca peguei tempestades em “alto rio”, mas quem já pegou diz ser horrível. Já peguei em alto mar, no meio o Atlântico, quando morava nos Açores. Fico imaginando um barquinho sem motor, sem remos, com uma pessoa dentro, sendo levada pelas ondas e vento para onde estes bem quiserem. É isso que acontece com a vida de uma pessoa que se deixa levar apenas pelas emoções correndo o risco de ser arremessada contra as margens com violência, ou ser sugada por redemoinhos, levar uma pancada de um tronco que desce a correnteza, se afogar e morrer.
Vejo muitas pessoas assim, cheia de marcas, de traumas, de feridas no corpo e na alma por conta de deixar sua vida ser guiada apenas pelas emoções que sentem.
O livro de Provérbios, no capítulo 25, versículo 28 diz que: “como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio”.
Não tem defesas, não pode se proteger, vive à mercê dos outros. Não creio que isso seja bom para ninguém, nem que ninguém queira viver dessa forma.
Emoções são muito importantes e precisamos saber lidar com elas e extravasá-las, mas também precisamos dominá-las a fim de não sermos prejudicados tantas vezes por conta de engano do nosso coração.
Não se esqueça que todos temos uma natureza pecaminosa e que o nosso coração tende para o erro (isso não significa que passamos a vida inteira errando), mas somos inclinados a tal, apesar de alguns discordarem disso. Respeito a opinião alheia. A bíblia fala que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus – Romanos 3.23.
Portanto, confiar apenas no seu coração, nas suas emoções não é um bom caminho. O caminho é o equilíbrio entre as emoções e a razão. Onde houver desequilíbrio haverá problemas!

Abraço,

Dinê