quarta-feira, 23 de junho de 2010

Deixando a vida me levar...

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? – Jeremias 17.9

Recentemente, em um momento de fraqueza (confesso o meu pecado) assisti a uma cena de novela em que a personagem, na porta da igreja para se casar, recebe a notícia de que não é filha biológica de seu pai, o que a faz entrar num desespero profundo, desistir do casamento, que já seria uma farsa, por ser apaixonada pelo, agora, pseudo irmão.
Esse é um retrato fiel de como anda a nossa sociedade, se deixando levar pelas emoções, praticamente sem um pingo de razão, de juízo na cabeça.
Não vou me dar ao trabalho de dizer como a personagem deveria agir num momento desses porque não sou roteirista de novela, mas abandonar tudo por conta da notícia que recebeu, ainda por cima de uma pessoa considerada “inimiga”, é uma decisão embasada apenas nas emoções. Na verdade o problema já vem de muito antes.
Já tinha razão o profeta Jeremias, que, inspirado por Deus, escreveu sobre como é enganoso o nosso coração. Não vá pensar agora o leitor que sou contra as emoções, pelo contrário, lido muito bem com elas, quem em conhece sabe disso, mas me preocupa o desequilíbrio.
Parece que durante décadas as nossas emoções foram banidas das nossas vidas, foram deixadas de lado. Era errado, pecado e feio dar vazão e elas. O problema, como já dizia meu pai, é que “quem nunca comeu melado, quando com se lambuza”! De uma hora pra outra viver pautado pelas emoções virou moda, tanto é que surgiram os “emos”.
Não dá pra pautar a vida só em cima de emoções. O coração é enganoso. Muitas vezes, por conta das emoções, temos a nossa visão sobre as coisas perturbada e manchada. Já vi moças se casarem com bandidos por conta disso. Já vi mulheres sofrerem em seu casamento por conta da infidelidade do marido que não queriam ver, famílias viverem momentos dificílimos com filhos em drogas por conta disso. Aliás, nos três casos acima, o bandido, o adúltero e o drogado quiseram viver a vida apenas em cima de emoções.
É algo mais ou menos assim: senti raiva, dou vazão à minha raiva, falo o quero, ajo como quero me deixo guiar pela minha raiva. Que se danem as conseqüências!
Senti alegria, eu a extravaso! Abraço quem eu quero, fico com quem estiver afim, bebo todas, fumo todas, faço toda a baderna que quiser. Há ainda os personagens criados para justificar tais atos: “Tô pagano!”. Lamentável!
Outros, sentindo-se frustrados, dão vazão à sua frustração por meio da violência ou da autodestruição, e vão até as últimas conseqüências. Não dá pra viver assim!
Morando no Amazonas, tive o privilégio de algumas viagens de barco pelo rio Negro e Solimões, apesar de não gostar muito dessa aventura pela demora de tais viagens. Pela graça de Deus nunca peguei tempestades em “alto rio”, mas quem já pegou diz ser horrível. Já peguei em alto mar, no meio o Atlântico, quando morava nos Açores. Fico imaginando um barquinho sem motor, sem remos, com uma pessoa dentro, sendo levada pelas ondas e vento para onde estes bem quiserem. É isso que acontece com a vida de uma pessoa que se deixa levar apenas pelas emoções correndo o risco de ser arremessada contra as margens com violência, ou ser sugada por redemoinhos, levar uma pancada de um tronco que desce a correnteza, se afogar e morrer.
Vejo muitas pessoas assim, cheia de marcas, de traumas, de feridas no corpo e na alma por conta de deixar sua vida ser guiada apenas pelas emoções que sentem.
O livro de Provérbios, no capítulo 25, versículo 28 diz que: “como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio”.
Não tem defesas, não pode se proteger, vive à mercê dos outros. Não creio que isso seja bom para ninguém, nem que ninguém queira viver dessa forma.
Emoções são muito importantes e precisamos saber lidar com elas e extravasá-las, mas também precisamos dominá-las a fim de não sermos prejudicados tantas vezes por conta de engano do nosso coração.
Não se esqueça que todos temos uma natureza pecaminosa e que o nosso coração tende para o erro (isso não significa que passamos a vida inteira errando), mas somos inclinados a tal, apesar de alguns discordarem disso. Respeito a opinião alheia. A bíblia fala que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus – Romanos 3.23.
Portanto, confiar apenas no seu coração, nas suas emoções não é um bom caminho. O caminho é o equilíbrio entre as emoções e a razão. Onde houver desequilíbrio haverá problemas!

Abraço,

Dinê

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Silêncio…

Queridos (poucos) leitores,
Peço desculpas por não postar a tanto tempo.
Saí de férias por 30 dias e me dei férias também do blog. Alguns já têm me cobrado, portanto volto a escrever.
Gostaria que o momento fosse outro, mas aprouve a Deus não ser.
A cerca de três semanas eu e minha esposa soubemos que seríamos pais. Um misto de alegria e meedo tomou conta de mim, principalmente, mas a alegria vinha crescendo dentro de nós nessas últimas semanas assim como vários planos.
Infelizmente ontem descobrimos que o bebê não foi bem formado e não sobreviveu à lei da vida. O perdemos!
Não sei descrever a sensação de vazio, impotência e tristeza por palavras. Posso descrever que chegamos ao local com uma sensação de euforia pois veríamos nosso(a) filho(a) pela primeira vez. Entretanto, já no início da ultrassonografia, a médica percebeu várias “coisas estranhas” e chamou uma outra colega para ajudar. Percebemos, mudos, que algo estava mal. A médica que veio ajudar saiu deixando seus pêsames. A que ficou continuou fazendo o exame. Era um balde de água fria!
Saímos da sala cabisbaixos e com lágrimas nos olhos. Nos sentamos no corredor deserto e o máximo que pude fazer foi abraçar minha esposa desconsolada fazendo força para conter minhas lágrimas.
O caminho para casa foi silencioso!
Finalmente, no íntimo de nosso lar, pudemos nos abraçar e chorar!
Não sabíamos o que dizer um para o outro, nunca havíamos passado por isso e não pensávamos passar.

De fato nunca pensei que voltar de férias seria tão difícil quanto foi desta vez. Ao chegar descobri que meu carro estava com um problema sério e precisei gastar um bom dinheiro para consertá-lo. Isso sem falar nas ovelhas, que parece que escolheram aquela semana para compartilharem comigo seus piores problemas; pra terminar, perdemos nosso bebê!

Ontem, falamos com Deus pedindo que apenas nos abençoasse com paz, consolo e conforto. Não pedimos para entender nada. Cremos que essa tentativa, nesse momento, seria dolorosa demais e não levaria a lado algum.
Lembrei-me das palavras de Jó em Jó 1.21: “… o Senhor o deu, o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.”

Algumas certezas pairaram sobre minha mente, por incrível que pareça!
A primeira é que estou salvo. Cheguei a essa conclusão por conta do consolo que, ontem mesmo, eu e Rose já sentimos. Isso é resposta imediata às nossas orações e de tantos que ficaram sabendo, ontem ainda, da nossa perda. Também pelo fato de saber que o Espírito Santo de Deus é o veículo dessa consolação. Portanto, se fomos consolados, temos o Espírito e se temos o Espírito, que é o selo da nossa salvação (Ef 1.13), somos salvos! Creio que nem todos que lerem vão entender essa grande verdade, mas é o que sinto e sei ser verdade!

É bem verdade que logo no início pensei que Deus estivesse me castigando por conta de algum pecado. Aliás, muitas vezes é o primeiro pensamento que temos. Mas me lembrei de vários textos que bíblicos que fazem menção à misericórdia e à graça e ao amor de Deus e percebi que o Deus a quem sirvo é justo, sim, mas não é carrasco. E tenho a certeza disso pela consolação que tenho experimentado. Deixo um dos textos dos que me lembro aqui - Hebreus 4:14-16: “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissäo. 15 Porque näo temos um sumo sacerdote que näo possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. 16 Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”
Esta foi a segunda conclusão.

Creio que a muitas outras conclusões chegarei. Quando a elas chegar, quem sabe vocês também não ficarão sabendo!

Termino este breve pensamento com três textos das escrituras que considero sagradas: a Bíblia.

2 Coríntios 1:3-5 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. 5 Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.”

Mateus 11:28-30 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.”

Romanos 5:3-5 “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. 5 Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.”

Que Deus nos abençoe!

Dinê