quarta-feira, 7 de abril de 2010

Silêncio…

Queridos (poucos) leitores,
Peço desculpas por não postar a tanto tempo.
Saí de férias por 30 dias e me dei férias também do blog. Alguns já têm me cobrado, portanto volto a escrever.
Gostaria que o momento fosse outro, mas aprouve a Deus não ser.
A cerca de três semanas eu e minha esposa soubemos que seríamos pais. Um misto de alegria e meedo tomou conta de mim, principalmente, mas a alegria vinha crescendo dentro de nós nessas últimas semanas assim como vários planos.
Infelizmente ontem descobrimos que o bebê não foi bem formado e não sobreviveu à lei da vida. O perdemos!
Não sei descrever a sensação de vazio, impotência e tristeza por palavras. Posso descrever que chegamos ao local com uma sensação de euforia pois veríamos nosso(a) filho(a) pela primeira vez. Entretanto, já no início da ultrassonografia, a médica percebeu várias “coisas estranhas” e chamou uma outra colega para ajudar. Percebemos, mudos, que algo estava mal. A médica que veio ajudar saiu deixando seus pêsames. A que ficou continuou fazendo o exame. Era um balde de água fria!
Saímos da sala cabisbaixos e com lágrimas nos olhos. Nos sentamos no corredor deserto e o máximo que pude fazer foi abraçar minha esposa desconsolada fazendo força para conter minhas lágrimas.
O caminho para casa foi silencioso!
Finalmente, no íntimo de nosso lar, pudemos nos abraçar e chorar!
Não sabíamos o que dizer um para o outro, nunca havíamos passado por isso e não pensávamos passar.

De fato nunca pensei que voltar de férias seria tão difícil quanto foi desta vez. Ao chegar descobri que meu carro estava com um problema sério e precisei gastar um bom dinheiro para consertá-lo. Isso sem falar nas ovelhas, que parece que escolheram aquela semana para compartilharem comigo seus piores problemas; pra terminar, perdemos nosso bebê!

Ontem, falamos com Deus pedindo que apenas nos abençoasse com paz, consolo e conforto. Não pedimos para entender nada. Cremos que essa tentativa, nesse momento, seria dolorosa demais e não levaria a lado algum.
Lembrei-me das palavras de Jó em Jó 1.21: “… o Senhor o deu, o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.”

Algumas certezas pairaram sobre minha mente, por incrível que pareça!
A primeira é que estou salvo. Cheguei a essa conclusão por conta do consolo que, ontem mesmo, eu e Rose já sentimos. Isso é resposta imediata às nossas orações e de tantos que ficaram sabendo, ontem ainda, da nossa perda. Também pelo fato de saber que o Espírito Santo de Deus é o veículo dessa consolação. Portanto, se fomos consolados, temos o Espírito e se temos o Espírito, que é o selo da nossa salvação (Ef 1.13), somos salvos! Creio que nem todos que lerem vão entender essa grande verdade, mas é o que sinto e sei ser verdade!

É bem verdade que logo no início pensei que Deus estivesse me castigando por conta de algum pecado. Aliás, muitas vezes é o primeiro pensamento que temos. Mas me lembrei de vários textos que bíblicos que fazem menção à misericórdia e à graça e ao amor de Deus e percebi que o Deus a quem sirvo é justo, sim, mas não é carrasco. E tenho a certeza disso pela consolação que tenho experimentado. Deixo um dos textos dos que me lembro aqui - Hebreus 4:14-16: “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissäo. 15 Porque näo temos um sumo sacerdote que näo possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. 16 Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”
Esta foi a segunda conclusão.

Creio que a muitas outras conclusões chegarei. Quando a elas chegar, quem sabe vocês também não ficarão sabendo!

Termino este breve pensamento com três textos das escrituras que considero sagradas: a Bíblia.

2 Coríntios 1:3-5 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. 5 Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.”

Mateus 11:28-30 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.”

Romanos 5:3-5 “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. 5 Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.”

Que Deus nos abençoe!

Dinê

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Destino: naufrágio

Há um hino na hinódia cristã batista que é muito conhecido e apreciado por muitos cristãos ao redor do mundo, o 398 do Cantor Cristão – Sou Feliz. É um hino com um conteúdo fantástico, profundo, bíblico, que exalta a graça, o suporte, a misericórdia, a salvação e tantas outras qualidades e coisas que Deus fez por nós.
Interessante é conhecer um pouco do contexto desse hino, de quando e por quem foi escrito e em que situação. Horatio Gates Stafford (1828 – 1888) foi quem o escreveu em um momento muito difícil de sua vida, talvez o mais: a morte de suas filhas em um naufrágio.
Fico pensando em como um homem que acaba de perder as filhas repentinamente consegue escrever sobre felicidade. Creio que isso só se deve, em primeiro lugar, à ação do Espírito Santo em sua vida e, em segundo lugar, na tamanha intimidade com Deus.

Recentemente, meu pastor, Pr. Norton Lages, pregou um sermão em Mc 4.35-41, a passagem que relata Jesus acalmando a tempestade.
Durante seu sermão eu fiquei meditando sobre esse fato e o que poderia representar na minha vida e na vida de muitos.
É fato que Jesus disse antes de entrar no barco que eles deveriam ir para a outra margem, mas creio que o objetivo de Jesus nessa viagem de barco não fosse chegar à outra margem, mas passar pela tempestade.
Era ainda o início da caminhada dos discípulos com Jesus e eles precisavam conhecer o mestre, saber quem de fato ele é. Não apenas mais um rabino, um louco na verdade, por ter escolhido fracassados segundo a sociedade, mas o filho de Deus, o próprio Deus encarnado.
Creio que o objetivo de Jesus era ser conhecido por seus discípulos por suas características pessoais tais como criador dos céus e da terra, Deus poderoso, de que tudo está submetido ao seu eterno poder, que Ele nos ama e por isso se importa conosco. Todas essas são qualidades pessoais de Jesus. Jesus quer ser conhecido por quem é e não somente pelo que faz.
Muitos, hoje em dia, querem conhecer Jesus que faz milagre, que faz isso, que faz aquilo, que restaura a vida, o Jesus que faz. Esse os discípulos já conheciam pois Jesus já tinha feitos algumas curas e milagres antes desse. Contudo, esse é um milagre novo, porque tem a ver com o domínio sobre a natureza. Entretanto, Jesus vai revelando partes de sua personalidade, do seu eu para que as pessoas sejam íntimas com Ele, porque é isso que Ele quer: que o conheçamos intimamente.

Volto à história do início. A minha grande dúvida era como Horatio poderia ter escrito tão bela poesia num momento de dor profunda. A resposta é que ele conhecia não só o Deus que faz, mas o Deus que É!
Muitas vezes sofremos derrotas, problemas, frustrações e questionamos onde Deus estava naqueles momento. Muitos até o abandonam por conta dessas experiências. Pedimos a Deus para nunca passarmos por elas, mas na verdade, não estamos livres disso, o próprio Jesus falou sobre isso – “no mundo tereis aflições” – Jo 16.33.
Na verdade esses momentos são cruciais na nossa vida se os virmos pelo prisma de Deus. É nesses momento que passamos a conhecê-lo mais por quem é do que pelo que faz. Passamos a ter intimidade com Ele, saber como Ele é, tal qual quando conhecemos um amigo. É por isso que muitas vezes o destino de nossas vidas é o “naufrágio”, a derrota, a frustação e não apenas vivermos de momentos bons onde só agradecemos as bênçãos do Senhor porque ele dá isso, dá aquilo, da aquilo outro. Repare nas orações públicas: raramente alguém louva a Deus pelas suas características pessoais, mas normalmente pelo que ele faz em função da vida da pessoa ou da sua igreja (o que já é um avanço muito grande).

Horatio, o autor da poesia do hino 398 do CC conhecia Deus por quem era, pela sua pessoa, por isso pôde escrever uma melodia tão profunda como essa num momento tão delicado como aquele.
É isso que acontece quando evoluímos em nossa vida cristã, o que Paulo chama de desenvover a nossa salvação (Fp 2.12), passamos do estágio inicial de conhecer a Deus pelo que Ele fez, faz e sempre fará, para o estágio que conhecê-lo por quem ele de fato É.

Não desejo naufrágios para ninguém, mas se isso acontecer ou já tiver acontecido em sua vida lembre-se que Deus pode estar te dando a oportunidade de conhecê-lo profundamente, intimamente, de saber quem Ele É!

Desejo que Jesus sempre esteja no seu barco, não só para acalmar as tempestades e ser garantia de chegada à outra margem, mas principalmente para que você o conheça por quem É!

Boa viagem!

Dinê